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Bird Girl

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May 17th, 2008

O que será?

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Chico Buarque & Milton Nascimento

May 16th, 2008

Desabafo íntimo

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Quando se ouve, umas quantas vezes, a pessoa de quem mais se gosta dizer que temos esta ou aquela doença mental, começa-se quase a acreditar e vê-se a doença como um papão a espreitar em cada esquina.

Dizia que era uma espécie de esquizofrenia... Ou talvez uma cena assim tipo bipolar...

Nem uma coisa nem outra.
O psiquiatra (especialista também em medicina legal/forense e professor universitário - se precisarem eu dou o contacto... sim porque há por aí gente necessitada)... Dizia eu, o psiquiatra, depois das sessões (e caras que foram...) declarou-me mentalmente sã, sem qualquer psicopatologia.

Não há necessidade de psicoterapia. (Vou gastar o dinheiro em livros e viagens!)
Hoje foi a última consulta.

Sou, portanto, normotímica.

E mesmo que tenha uma ou outra característica menos benéfica (como uma certa obsessividade ou uma ansiedade que dispara mais rapidamente), disse o doutor que a minha elevada inteligência (cof, cof) e o meu auto-conhecimento são os melhores instrumentos para lidar com esses aspectos.

De resto, acrescento eu, o Amor há-de distrair-me da demência do Mundo.

May 14th, 2008

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Já tenho ensaiada a conversa para o momento em que eu for alvo de uma multa de trânsito:
- Sr. Agente, eu não sabia que não se podia estacionar aqui... Peço desculpa e lamento ter infringido a lei e, tomo já aqui, a decisão de não voltar a conduzir.

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Realmente só nos faltava apanhá-lo a fumar...

Para o cidadão Pinto de Sousa

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May 13th, 2008

Lamentos de um rapaz do 7.º ano

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O meu problema foi ter tido boas notas no 5.º e 6.º ano... Habituei mal os meus pais... Agora, o 7.º ano é mais difícil... É preciso estudar mais...

Já avisei o meu primo que anda no quinto: "não tires muitos quatros e cincos, senão habitua-los mal e depois não se contentam com menos."

May 10th, 2008

My blueberry nights

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Cat Power - The Greatest

May 9th, 2008

Enduring love

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Na maior parte das vezes, de muito pouco adianta gastar o tempo a tentar descobrir quem largou a corda em primeiro lugar, quem a deixou (sabe Deus por que motivos...) escapar das mãos mais ou menos lentamente. O balão sobe, o pássaro voa, a promessa quebra-se, o amor esfuma-se e nada mais volta ao que era. O mundo transfigura-se em algo nunca imaginado.

Na vida não há happy endings, porque a nossa narrativa nunca é fechada.




May 6th, 2008

Oxidação

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Que o tempo nunca nos leve o sorriso claro e limpo. Aquele que estende serenamente até aos olhos.
Não precisa de ser de orelha em orelha. Basta que se desenhe nos olhos.
Quando eu começar a rezar, é isso que, todos os dias, vou pedir a Deus. Que me dê saúde, porque sem a saudinha nada feito. E que me conserve o sorriso. Para não me acontecer àqueles barcos que eu vi há duas semanas, ancorados, cheios de ferrugem, coitados.
Eu cá não me punha em alto mar naquela carcaça oxidada, com as ondas a dar de um lado e depois do outro.
Mas eu não percebo muito de barcos.
Também não compreendo muito bem as pessoas, mas, mesmo assim, um sorriso aqui e ali. Só para saber que, apesar da ondulação, não preciso de usar a bóia.

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Dulcinha

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O que eu gostava que estivesses aqui, sentir-te na sala, no quarto, ouvir os teus passos no corredor, assistir ao teu sorriso ao entrares depois de duas voltas à chave por causa dos ladrões

(sempre tiveste medo dos ladrões)

e apesar das duas voltas à chave a experimentares a solidez da porta, desconfiada, séria, a guardares a chave na carteira

(que confusão a tua carteira, óculos escuros agenda facturas óculos de ver ao perto estojo de pintura aspirinas)

e então sim, impedidos os ladrões de chegarem, a sorrires-me, um sorriso diferente dos outros porque, do lado esquerdo da boca, uma pontinha de dentes a assomar. Do lado direito um sorriso normal e do lado esquerdo um canino ou isso, o vértice de um canino, a brilhar. Talvez haja quem ache isso feio, eu acho lindo. Como achava lindas as rugas do teu pescoço, o que o tempo começava a mudar em ti. Não é que envelhecesses, não envelhecias ainda, ninguém envelhece aos quarenta e três anos, a idade apenas a tornar-se mais nítida e a aumentar-te o encanto. Mas, ao descalçares-te, que juventude nos teus pés e eu maravilhado que cinco dedos em cada um como as outras pessoas, maravilhado que tu humana, terrestre, ao meu alcance embora nada estremecesse no teu corpo ao abraçar-te, ficasses dura, resistindo-me a fingir que não resistias, arranjando uma desculpa qualquer para te levantares e escapar aos meus beijos, à mãozinha que eu queria suave se te acariciava o pescoço tentando dizer coisas que não era capaz de dizer ou soprando

– Sua marota, sua marota

consciente de ser vulgar e pateta. Se fosse capaz de encantar-te, excitar-te, fazer-te rir. Não sou delicado

– Estás a fazer-me cócegas, que maçada

os gestos não me obedecem, tornam-se pesados e sem graça, o meu bigode enerva--te eu que não me imagino sem bigode, torno-me impensável sem bigode, pareço nu de uma nudez vagamente obscena, vagamente repulsiva, demasiado nariz, demasiadas bochechas, demasiadas orelhas, demasiadas saliências na cara, um exagero de feições que o bigode

(vá lá)

disfarça, tu, cruel

– O teu bigode cheira à sopa de ontem, juro

e eu correr para o lavatório a fim de o libertar das ruínas do caldo verde. No espelho, por cima da torneira, um par de olhos lastimosos. Meus. Um par de olhos que pedem, mudos

– Dulcinha

que na tua ausência continuam a pedir mudos

– Dulcinha

enquanto o caldo verde do bigode fareja a saudade, o pobre. Aos sábados vou-lhe aparando as pontas com uma tesoura cuidadosa, depois empurro os pêlos para
o ralo com o indicador e água. Aos domingos ainda encontro um na loiça,
a resistir. Pega-se-me ao indicador, vejo-
-me grego para me libertar dele, acabo por limpá-lo nas calças do pijama. O meu pai, que faleceu há três anos, usava bigode também: o dele branco e o meu castanho a conversarmos enquanto folheavas uma revista, suspirando. De enfado? De ternura por mim? Dessas melancolias inexplicáveis das mulheres? Tão estranhas as mulheres: ausentam-se permanecendo, regressam partindo. O meu pai no sofá, a minha mãe na moldura, coitada: uma pneumonia traiçoeira levou-a numa semana. Perguntou

– Não estou lá muito bem, pois não?

e minutos depois desapareceu toda atrás das pálpebras. O meu pai pegou-lhe no pulso

(o meu pai era médico)

largou-o no lençol onde o pulso caiu, feito objecto, uma frase sem palavras borbulhou no bigode e acabou-se. Sobrou um silêncio grave no apartamento, que o pêndulo do relógio da cómoda cortava às fatias. O relógio está comigo agora, mas não corta o silêncio às fatias porque não lhe dou corda e detesto que tratem
o silêncio como se fosse uma torta ou um bolo-rei. Se lhe metesse a faca encontrava a prenda do teu abandono dentro. Deixá--lo estar assim inteiro com o abandono escondido. Se conseguisse articular

– Amo-te

ou

– Preciso de ti

ou

– Fazes-me falta

e não consigo. Tusso. Assoo-me. Suspiro como tu embora não folheie revistas. Permaneço a alisar o bigode diante do futebol, do noticiário, de uma senhora que dá explicações sobre sexo com um casal ao lado a exemplificar, na mesma falta de entusiasmo que nós na época em que vivíamos juntos. E no entanto

(quem me ajuda a entender isto?)

as manobras do casal exaltam uma parte minha, lá em baixo, a que tento não dar importância. Se aqui estivesses tornava a tentar o teu pescoço, a medo. A senhora do sexo garante que o pescoço sabiamente agarrado agrada às mulheres. O problema consiste em agarrar sabiamente. Exercito--me com os dedos no vazio, aperto, alargo, aperto. Cochicho

– Dulcinha

e os ponteiros do relógio, nas cinco para a uma, parecem pedir socorro. Enfio os dedos no bolso, arrependido. No andar de cima os sapatos de uma criança que não pára de trotar desesperam-me. Nunca dormem, senhores, trotam a vida inteira. Que energia.

Voltando ao princípio o que eu gostava que estivesses aqui, mesmo com o medo dos ladrões e as duas voltas de chave. Qualquer dia o meu bigode branco, qualquer dia poucos cabelos no cocuruto. O meu pai penteava-os um a um, em minúcias de ourives, numa arquitectura complicada, segurava aquilo tudo com o cimento da laca. Sem vento aguentava-se. Com vento tombava-lhe sobre o ombro. Paizinho. Usava um chapelito com uma pena, assemelhava-se a um estrangeiro, um inglês, um sueco. Agora assemelha-se a um montinho de ossos, penso eu. Tu não, Dulcinha. Tu continuas viva, e a prova que continuas viva está em que daqui a nada oiço o elevador a chegar e vejo a ponta dos dentes no lado esquerdo da boca. A senhora do sexo, bem vestida, séria, disserta acerca de um truque que não conheço. Hei-de praticá-lo contigo apesar do caldo verde do bigode. Oxalá a hérnia das minhas costas aguente. Oxalá que eu consiga

– Amo-te

sem te fazer cócegas nenhumas. No fim de contas, pensando bem, não éramos infelizes, pois não?



António Lobo Antunes
in Visão

May 4th, 2008

Virginia Woolf

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"You cannot find peace by avoiding life, Leonard."

The Talented Mr Ripley

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Tu Vuo' Fa L'Americano

May 3rd, 2008

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May 2nd, 2008

O Sabor do Amor

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Passagem das horas

"Não sei sentir, não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, quotidiano, nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente.
Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas,de todas as sacadas,
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."

Álvaro de Campos


May 1st, 2008

O sonho impossível

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Maria Bethânia


Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Chico Buarque

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Eu quero um colo, um berço
Um braço quente
Em torno ao meu pescoço
E uma voz que cante baixo
E pareça querer me fazer chorar
Eu quero um calor no inverno
Um extravio morno da minha consciência
E depois sem som
Um sonho calmo
Um espaço enorme
Como a lua rodando entre as estrelas


Fernando Pessoa, Livro do Desassossego 






Abstract Hug, de Gustav Klimt

April 30th, 2008

Doutra maneira dizendo... ou cantando

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Fado nice

Vi-te um dia toda nice
Cheiravas a pó de rice
estavas mesmo beautiful
mas tu never me ligaste
never, never telefonaste
and I saw you toda azul.

Disse-te girl you are soo mine
chavala your are soo fine
my love is soo for you
I like you ao quadrado
You make me meio marado
Je t' aime
I love you too

I believe no amor
tu és just like uma flor
És meu sonho and my dream
tão fofinha e gostosa
Crazy, crazy and formosa
you are like an ice crem

Pra terminar esta song
fado triste I am alone
tu partiste, bad girl
my heart ficou à rasca
fugiste com o gajo da tasca
my body is now for sale!
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